terça-feira, 18 de agosto de 2009

Brasileiro da Rodada: Denílson


Ele saiu do São Paulo aos 18 anos. Tinha realizado poucas partidas pelo time principal do Morumbi e muitos se perguntavam como um garoto tão jovem fora parar no poderoso Arsenal. Três temporadas depois, o garoto que deixou Gilberto Silva no banco vem a cada dia demonstrando que o técnico francês Arsene Wenger tinha razão ao apostar nele.

O volante Denílson, que já vinha jogando entre os titulares no ano passado, deve ser efetivado no time principal dos Gunners com a saída de Xabi Alonso e já foi desbancando logo na primeira partida da temporada ao marcar o gol de deu início a goleada do Liverpool por 6 a 1.

Além do gol, Denílson mostrou segurança, maturidade e uma presença em campo invejável. Na sua posição não fica devendo em nada para os convocados de Dunga - Felipe Mello, Gilberto Silva e Josué - e ainda por cima mostra uma qualidade técnica que nenhum dos três possuem. |Se Dunga gostasse de volantes que jogam e marcam, e não apenas de burucutos sem técnica, o ex-são paulino já estaria na seleção.

A temporada começa prometendo


Essa primeira rodada da Premier League mostrou que o campeonato tende mesmo a ser diferente. Assisti a dois jogos por completo - Blackburn Rovers 0 x 2 Manchester City e Everton 1 x 6 Arsenal - e acompanhei os melhores momentos de outros. O Manchester United de Rooney penou para vencer o Blackburn Rovers por 2 a 0. O mesmo sufoco passou o Chelsea, que bateu de virada o Hull City graças a um iluminado Drogba, que marcou duas vezes.

Mas o fim de semana me reservou duas gratas surpresas. O Arsenal, que dos quatro grandes era até então o que despertava desconfiança devido a baixa média de idade do seu elenco, foi o time que mais brilhou. Uma atuação de gala, na maior concepção da palavra. Emplacou um 6 a 1 contra o respeitável Everton, e na casa do adversário. Futebol envolvente, bonito, rápido e todos os demais adjetivos batidos que se dão hoje em dia a times que dão espetáculo em campo. Show de Fabregas, o maestro espanhol, de Denílson, o seguro volante brasileiro, de Arshavin, o mago russo, e de todos os demais jogadores, como o brasileiro/croata Eduardo da Silva e inclusive do cintura-dura do Bendtner.

A outra surpresa foi o Tottenham (foto). Como jogou bonito o time londrino contra nada mais nada menos que o Liverpool, favorito ao título da temporada, mas que começou com o pé esquerdo a disputa. Nem mesmo o inseguro goleiro brasileiro Gomes (presente constantemente na lista de Dunga) e que cometeu um penalti patético conseguiu abalar o resultado do Tottenham. O tradicional time da capital mostrou um futebol envonvente, de toques rápidos, e contou ainda com o Módric inspiradíssimo.

Já o Manchester City ficou no limbo entre a euforia e a decepção. Euforia pelas boas estreias de Adebayor e Tevez (que entrou no segundo tempo no lugar de Robinho) e a promessa de uma campanha bem melhor que a do ano passado e mais digna perante os vultuosos investimentos. A decepção fica por conta do futebol apresentado por Robinho, um fiasco em campo, e pelo aparente desinteresse dos jogadores com mais tempo de casa, como Ireland e em contraste com os estreantes que comandaram as boas investidas do time.

A primeira impressão nem sempre é a que fica, mas a primeira rodada do campeonato inglês pede para ficarmos de olho nos garotos do Arsenal e no time bem arrumado do Tottenham. Mostrou que a vida dos grandes United e Chelsea não será fácil. Que o Liverpool falta um pouco para engrenar e que o Manchester City finalmente fez boas contratações.

A bola rola para os ingleses


Eu não gostava do futebol inglês. Assim eu era uns cinco anos atrás. Não via graça naquele jogo pragmático de bola alçada na área, jogadores sem habilidade e toque de bola sem criatividade. Mas isso mudou. Ambos mudaram. O futebol inglês e minha opinião sobre a Premier League. Na verdade as coisas mudaram a ponto de hoje o mundo inteiro - eu incluso - considerar o campeonato inglês o mais interessante de se assistir no planeta.

Os clubes ingleses são os mais ricos graças a algumas "brechas legislativas". O futebol na Inglaterra é igual banco na Suíça, qualquer um pode chegar com seu dinheiro e aplicar sem precisar prestar contas de onde vem as divisas. Com isso a Premier League se abriu para "investidores" de origens digamos duvidosas, como xeiques árabes e seus petro-dólares e mafiosos russos e seus milhões galgados a partir do desmantelamento estatal da URSS.

Mas não estou aqui para falar disso, e sim do começo da temporada 2009/2010 da Premier League, que teve seu pontapé inicial nesse fim de semana. Agora sim começaram as ligas europeias de verdade. A alemã, que começou semana passada, e a russa, a quase um mês com bola rolando, não me empolgam.

A graça é que essa temporada tem de tudo para ser diferente na Inglaterra. Após anos mandando e desmandando no mercado da bola e contratando os principais craques do planeta, os clubes ingleses perderam algumas de suas estrelas para o futebol espanhol, em especial para o Real Madrid. Para a capital espanhola foram Cristiano Ronaldo do Manchester United e Xabi Alonso e Arbeloa do Liverpool.

Por outro lado não ocorreram grandes contratações. Nunca os clubes da Terra da Rainha gastaram tão pouco. Internamente algumas transações também contribuem para o equilíbrio de forças. O Manchester City, clube modesto no futebol mas pomposo no dinheiro, tirou Tevez do rival United e Adebayor do Arsenal. Tudo isso fará que a disputa seja maior e quem sabe até tenhamos surpresas no topo da tabela.

Manchester United, Arsenal, Liverpool e Chelsea continuam favoritos, mas os pequenos, representados principalmente por Everton, Tottenham, Fulham e Manchester City podem aprontar muito mais do que fizeram nas ultimas temporadas.