
Na convocação de Dunga, entre garantidos e prováveis, do maior clube do mundo, o Real Madrid, só deve sair Kaká. Na lista de Parreira para a Copa de 2006, os merengues cederam quatro (Ronaldo, Robinho, Cicinho e Roberto Carlos).
O Milan, que desde 1994 tem ao menos um jogador convocado e em 2006 tinha três (Kaká, Dida e Cafu), não deve ver ninguém na lista de terça-feira. O Bayern de Munique, de Lúcio e Zé Roberto em 2006, também não será citado. Os grandes clubes ingleses - Arsenal, Chelsea, Manchester e Liverpool - também não. Do Barcelona, só Daniel Alves vai para a Copa. A única exceção será a Inter de Milão, que vai ceder três jogadores: Júlio César, Maicon e Lúcio.
Em compensação, os torcedores terão que enrolar a língua para pronunciar nomes de times periféricos. Do modestíssimo Wolfsburg, surpreendente campeão alemão de 2009, Josué esta garantido e muitos apontam Grafitte como sucessor do problemático Adriano.
Também teremos jogadores de países com futebol emergente, como Turquia e Grécia. Quero ver a torcida comentando o nome do time grego de onde saíra o questionável Gilberto Silva: Panathinaikos. Ou então o clube turco de Elano: Galatasaray. Ainda na Turquia, outro com chance é André Santos, do Fenerbahce.
O único jogador de pode sair do poderoso futebol inglês é o goleiro Gomes, do Tottenham. Até mesmo nossos candidatos a artilheiros não serão de um grande clube espanhol, assim como foram Ronaldo e Rivaldo. Luís Fabiano vem do emergente Sevilla, e seu reserva, Nilmar, do mediano Villareal.
O difícil é saber a origem do problema. Três hipóteses existem. A primeira, mas provável, é que os mercados emergentes de países como Rússia, Turquia e Grécia, e clubes medianos da Espanha, Itália e Alemanha têm se fortalecido.
Outra teoria, mais pessimista, é de que os brasileiros tem cada vez mais se distanciando de grandes clubes. Essa hipótese ganha força quando vemos os poucos brasileiros jogando em clubes como Real Madrid, Barcelona, Juventus, Bayern...
A mais trágica das teorias é que Dunga não sabe convocar. Marcelo, do Real Madrid, Maxwell do Barcelona, e Fábio Aurélio do Liverpool seriam bons nomes para a carente lateral esquerda. Ronaldinho, Pato e Thiago Silva, todos do Milan, também poderiam ser lembrados.
Ter jogadores de grandes clubes não significa uma seleção forte. Mas o número de jogadores questionáveis em times mais questionáveis ainda já deixa o alerta ligado para a Copa. Parafraseando o Galvão Bueno: “Que Deus ilumine o coração e a cabeça de Dunga nessa terça-feira”.













