
As eliminatórias da Copa da África do Sul prometem muitas emoções, como já era previsto. O que ninguém previa eram as consequências que essa competição poderia gerar para o futuro do futebol. Muito mais do que classificar as seleções para o mundial, o torneio pode selar o destino de alguns craques que correm o risco de ficar de fora da maior competição esportiva do mundo.
Há menos de um ano seria impossível alguém achar que jogadores sempre presentes em lista de melhores do mundo, como Messi, Eto'o, Henry (o trio de ouro do Barcelona campeão europeu) Cristiano Ronaldo, Rafa Marques, Ibrahimovic e Schevechenko poderiam ficar fora da Copa. Mas podem. Argentina, Camarões, França, Portugal, México, Suécia e Ucrânia estão entre as seleções que correm o risco de assistir o mundial de casa.
Pensar numa copa sem Argentina seria como pensar um Brasileirão sem Corinthians - ops, mas isso aconteceu a pouco tempo, então pode muito bem ocorrer também. Mas a situação dos hermanos talvez seja a menos delicada, embora preocupante. Se na tabela a salvação parece possível, o difícil é acreditar que Maradonna conseguirá dar uma cara de time aos bicampeões mundiais.
Complicada mesmo está a vida de Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic. Portugal e Suécia estão no mesmo grupo e vêem a cada vez mais líder Dinamarca se credenciar a ficar com a vaga da chave, deixando as duas seleções numa briga direta pela vaga da repescagem. Ou seja, é quase certo que ao menos uma das duas seleções (e consequentemente um dos dois craques) não vá conhecer os estádios africanos no ano que vem. E se não abrirem os olhos a tempo, ambos ficarão de fora, já que hoje quem tem a segunda posição da chave é a Hungria.
Surpreendente é a situação do México. Sempre soberano nas competições das Américas Central e do Norte, onde o futebol ainda é bastante incipiente, a seleção do zagueiro Rafa Marques está em quinto lugar entre os seis times da fase final das eliminatórias, que oferecem três vagas diretas para a Copa e mais uma possibilidade de repescagem contra um time da América do Sul (quem sabe a Argentina). Os mexicanos estão perto de ver a vaga para a Copa ir parar na mão de EUA e Costa Rica (até então nenhuma surpresa) mas também para as zebríssimas El Salvador e Honduras.
Na África a disputa nunca foi fácil, e todos os anos um novo país abocanha o status de surpresa. Seja quem for os países que jogarão praticamente em casa durante a Copa, Camarões se vê cada dia mais longe da Copa. Nem mesmo a estrela de Eto'o parece dar jeito as Leões Africanos, que estão em último na chave de quatro times na qual se classifica apenas o primeiro.
Já a Ucrânia parece seguir o ritmo de decadência de sua principal estrela. Assim como Schevchenko, a seleção do leste Europeu tem provado que foi super estimada nos últimos anos. O time ainda sonha com uma chance na repescagem, mas a classificação direta está praticamente impossível, já que no grupo está uma inspiradíssima Inglaterra (7 jogos e 7 vitórias) e que galopa a passos largos rumo a Copa.
A França de Henry e Ribery também corre riscos, mas os confrontos diretos com os adversários podem lhe render ao menos uma vaga na repescagem pelo grupo que a Sérvia domina e deve ficar com a vaga.
Em contrapartida de todas essas possíveis perdas, a Copa da África tem de tudo para ser palco de redenção do dublê de técnico Dunga, que a cada dia vê mais concreto o seu lugar de comando na seleção canarinho. É verdade amigos, quer queira quer não, Dunga vai ser o técnico do Brasil na Copa.
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