segunda-feira, 16 de março de 2009

Brasileiro da rodada: Grafite


Se atuasse no Brasil, Grafite estaria no domingo pedindo música no Fantástico. É assim que o programa da Globo homenageia o jogador que tenha marcado três gols numa mesma partida no fim de semana, assim como o brasileiro fez na sexta-feira na abertura da 24ª rodada do Campeonato Alemão, quando sua equipe, o Wolfsburg, bateu o Schalke 04 por 4 a 3 de virada.

Grafite roubou a cena. Sofreu e depois converteu o pênalti que empatou o jogo, deu a assistência para o gol da virada e ainda marcou o terceiro e o quarto gol de sua equipe. Com os gols ele entrou para a história como o maior artilheiro do Wolfsburg em uma única edição do Campeonato Alemão, tendo até o momento 17 gols na atual temporada da Bundesliga e que está na vice-liderança da artilharia, com só um gol a menos que Ibsevic, do Hoffenheim.

Em 2006 ele deixou o São Paulo de forma conturbada para jogar no modestíssimo Le Mans, da França e no ano seguinte já desembargava na terra do chucrute para jogar pelo Wolfsburg, time que nunca venceu a Bundesliga, mas que vem atravessando bom momento desde então.

Antes de ir para a Europa, 2005 foi o ano de Grafite, seja pelos títulos ou pelas polêmicas. Em abril, durante um jogo da Libertadores contra o Quilmes, da Argentina, Grafite discutiu com o zagueiro adversário Desábato, que o teria ofendido com expressões de cunho racista. O brasileiro foi expulso, mas algumas ofensas foram captadas pela televisão. Ainda no vestiário Grafite prestou queixa e no final da partida a polícia entrou em campo e prendeu o zagueiro argentino, deixando detido por dois dias antes de retornar à Argentina, acusado de injúria com agravante de racismo. O caso tomou repercussão internacional e Grafite virou um símbolo da luta contra o racismo.

Voltando a falar de futebol, falta ainda para Grafitte atuar num clube de maior expressão na Europa, ou pelo menos numa grande Liga europeia, já que até hoje ele jogou apenas nos fracos campeonatos alemão e francês, além de uma passagem sem gols em 2003 pelo Anyang da Coreia do Sul. Comparativamente, os clubes pelo qual passou no velho continente tem relevância internacional infinitamente menor do que seu ex-clube, o São Paulo, onde conquistou seus maiores (e únicos) títulos na carreira, a Libertadores e o Mundial de Clubes da Fifa, em 2005, além do Paulistão deste mesmo ano.

Talvez após passar por desafios maiores Grafite possa enfim receber os méritos que merece.

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