
Das trevas a glória em 328 dias. Esse foi o período que separou o brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva dos aplausos dos torcedores do Arsenal. Lembro como se fosse hoje do dia 23 de fevereiro de 2008, uma final da manhã de sábado, quando eu tive o desprazer de presenciar, ao vivo pela televisão, uma das cenas mais chocantes que já vi no futebol, quando o zagueiro carniceiro Martin Taylor, do Birmingham, deu uma entrada criminosa que literalmente partiu a perna de Eduardo ao meio (quem viu a cena sabe que não estou exagerando). Foi o tipo de cena que sinto arrepios sempre que vejo fotos na Internet e viro o rosto quando os canais de televisão teimam em repetir à exaustão. Não recomendo jogarem o nome "Eduardo da Silva" no Google e nem no youtube.
Na época surgiram vários diagnósticos que apontavam até que o jogador teria que amputar a perna. Passada a fase da exagerada e precipitada conclusão, a dúvida que surgiu nem era se ele voltaria um dia a jogar futebol, e sim se ele voltaria a andar. E foi assim que o atacante foi preenchendo esse período de quase um ano, cada dia vencendo uma etapa e traçando novas metas.
A primeira delas era voltar a andar. E ele voltou. Alguns meses depois a nova meta era voltar a jogar futebol. E ele voltou. Em 16 de dezembro, o atleta atuou por 45 minutos no jogo entre os times reservas do Arsenal e Portsmouth, no estádio Underhill, em Londres, inclusive acertando uma bola na trave. Em janeiro deste ano jogou 90 minutos novamente pela equipe reserva dos Gunners e chegou a marcar um gol contra o Stoke, mas estava em impedimento. No meio da semana passada Eduardo jogou alguns minutos pela seleção croata na vitória contra a Romênia por 2 a 1, em Bucareste. E ele foi o autor do passe para o gol da vitória assinalado por Niko Kranjcar.
Faltava a última e decisiva etapa, mostrar que voltaria a jogar o bom futebol que vinha apresentado no Arsenal antes da fratura. E ele novamente venceu essa meta. O atacante foi decisivo na goleada por 4 a 0 sobre o Cardiff, no Emirates Stadium, casa do Arsenal, em jogo válido pela Copa da Inglaterra (FA Cup), hoje a tarde, marcando dois gols no seu retorno oficial.
Aos 19 minutos Eduardo marcou de cabeça após mais de um ano, já que seu último gol havia sido duas semanas antes da fratura na perna, e foi ovacionado pela torcida do Arsenal enquanto chorava no gramado abraçado pelo time inteiro dos Gunners . E ele voltaria a marcar no segundo tempo, aos 14, após ser derrubado na área e cobrar o penalti. Na comemoração, o jogador foi abraçar o médico do clube, Tony Colbert, um dos estiveram ao seu lado durante o longo e incerto período de recuperação. Ele não marcava dois gols numa mesma partida desde dezembro de 2007.
Além dos gols, o jogador fez uma boa partida, mostrou boa movimentação e deixou claro que está recuperado da gravíssima lesão. Quando foi substituído, aos 22 do segundo tempo, nova ovação pela torcida. Foi o sentimento de dever cumprido, não dos 67 minutos que esteve em campo, mas pelos 328 dias em que a dúvida e as metas a seu caminho foram as principais adversário do atacante.
Pela segunda segunda-feira seguida em venho ao blog para postar aquilo que acaba sendo o principal fato da semana. Estou começando a mudar os meus conceitos... segunda-feira também é dia de boleiro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário